CA Seguros apresentará resultados positivos

João Pedro Borges da CA SegurosA propósito do prémio recebido pela CA Seguros, que a coloca como sendo a Melhor média e pequena seguradora Não Vida, na “opinião” dos prémios Banca & Seguros, pareceu-nos apropriado repercutir aqui algumas impressões deixadas pelo seu presidente, João Pedro Borges, em entrevista concedida a Sara Ribeiro, do Sol, há poucos dias.

Para além das tendências dos variados produtos de seguros em Portugal, ditadas em larga medida pela crise, o presidente da Crédito Agrícola Seguros, fala também da privatização da Caixa Seguros e de um dos seguros de nicho da sua seguradora – o seguro para empresas vitivinícolas.

João Pedro Borges é o CEO da CA Seguros desde Setembro passado, estando na seguradora Não Vida do Grupo Crédito Agrícola desde 1995, e tendo desempenhado funções de Diretor Financeiro e Administrativo, e tido responsabilidade como o Desenvolvimento Estratégico e a Gestão de Risco.

Licenciado em Economia, mestre em Economia Monetária Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), participante no Programa de Alta Direção de Empresas (PADE) da AESE – Business School, este professor de Finanças Empresariais na Universidade do Algarve, já lecionou noutras universidades portuguesas e desempenhou funções na banca, no Ministério das Finanças e ainda no setor das telecomunicações.

Sara Ribeiro: Que balanço faz da actividade do sector segurador e em particular da CA Seguros?

Em 2013 tivemos o impacto de um temporal, em Janeiro, que nos provocou custos com sinistros de cerca de quatro milhões de euros, e que afectou também todo o mercado.

No nosso caso, apesar de tudo, apresentaremos resultados positivos, se não houver eventos extremos até ao final do ano.

SR: Como tem evoluído o ramo de acidentes de trabalho?

O contexto de crise e as dificuldades que se colocam às empresas têm sido um factor fundamental para a redução dos prémios neste ramo.

A pressão das empresas para revisões de prémios e a procura de soluções mais baratas aumentou fortemente. E a luta por quotas de mercado fez com que alguns agentes fossem longe de mais.

Os prémios médios praticados atualmente, sobretudo no ramo de acidentes de trabalho, não podem ser justificados tecnicamente – são manifestamente insuficientes para cobrir os custos com sinistros e de funcionamento.

Os prémios médios praticados (…) são manifestamente insuficientes para cobrir os custos com sinistros e de funcionamento.

SR: E o segmento de saúde?

A enorme tensão ao nível do Orçamento do Estado e a redução das dotações para o Serviço Nacional de Saúde têm contribuído para aumentar a sensibilidade e o interesse das pessoas pelos seguros de saúde. O aumento das taxas moderadoras também contribuiu para isso. Notamos que há uma maior procura, e que as pessoas estão particularmente interessadas em obter proteção para o risco de necessitarem de hospitalização, em casos graves. Mas temos também um crescimento nos seguros de saúde contratados pelas empresas para os colaboradores.

SR: Como avalia o ramo automóvel?

O prémio médio no ramo automóvel tem-se reduzido fortemente e sentimos esse efeito na nossa carteira. Há dois fatores a contribuir para isso. Por um lado, as dificuldades económicas das empresas e famílias levaram a uma redução das aquisições de veículos novos e a um envelhecimento do parque automóvel, pelo que os capitais seguros são cada vez mais baixos. Depois, agravaram-se as práticas de concorrência por parte de algumas seguradoras, com o objetivo de captar ou manter clientes a qualquer preço.

SR: Os seguros para empresas agrícolas e vitivinícolas são uma aposta da empresa. Como estão a correr?

Este ano foi complicado em termos climáticos, com situações de elevada sinistralidade. Mas continua a ser um sector de forte aposta. E além da viticultura, queremos dinamizar outras culturas: tomate de indústria, olival, cereais.

SR: De que forma pode a privatização da Caixa Seguros influenciar o sector?

Terá sempre um impacto relevante, considerando a sua elevada quota de mercado. Mas vai depender dos objetivos que os novos acionistas definirem.

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TOC e formadora em Contabilidade Financeira, Analitica e Fiscalidade. Colaboradora da Seguros Mais

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